70. O Verdadeiro Lorenzo
ISADORAAquele homem tão grande parecia tão pequeno e frágil, me apertando contra si. Em outro momento, eu ficaria com raiva se ele repousasse sua cabeça em meu colo, buscando refúgio na maciez do meu seio — mas não naquele. Me pareceu um instante de medo, de fraqueza, de perda de direcionamento.O médico surgiu na porta, porém falou antes de fechá-la:— Vou lhes dar privacidade.Isso tirou Lorenzo de seu transe. Nos encaramos e não sei por que meu medo se esvaiu, entretanto, no lugar dele, a tristeza de Lorenzo me preencheu. Passei meus polegares por baixo de seus olhos, enxugando suas lágrimas.Notei que sua roupa, sempre alinhada, estava suja e amarrotada; seu cabelo, assanhado; no suspensório, duas armas. E, mais ainda, percebi seu corpo trêmulo e exausto.O Don pousou meu rosto entre suas mãos, encostando nossas testas. Diferente de outras vezes, quando repudiei seu toque, recebi o gesto como carinho e preocupação — não como um sequestro nem como se fosse contra minha vontade.—
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