Mais tarde, sozinha, ela explorou. Não por curiosidade — havia explorado com curiosidade outras coisas na vida e havia aprendido que curiosidade, quando não é acompanhada de propósito, tende a produzir mais perguntas do que respostas e raramente as certas. Era outra coisa que a movia pelos corredores daquela mansão naquela tarde.Era necessidade de orientação. A necessidade de quem entrou num território novo e que entende que sobreviver num território novo começa por conhecê-lo — onde estão os espaços, como funcionam, quais têm vida e quais são decorativos, quais pertencem a quem e com que regras não ditas. Os corredores eram intermináveis, a única coisa que Rafaela queria era respirar e ficar longe daquela gente .Havia passado por salões que pareciam ter sido preparados para receber centenas de pessoas e que claramente recebiam muito menos. A biblioteca era imensa e tinha aquele cheiro específico de livros que são cuidados mas não lidos com frequência — preservados, organizados, tra
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