Londres não tinha o cheiro do mar, e essa foi a primeira constatação que atravessou os pensamentos de Jane assim que a porta automática do aeroporto se abriu e o vento frio, carregado de umidade e um perfume distante de concreto molhado, tocou seu rosto como um aviso silencioso de que ela estava, de fato, muito longe da ilha ensolarada onde crescera protegida por muros invisíveis de privilégio e tradição.O hotel que havia reservado antes de sair da Espanha parecia, agora, menor do que nas fotos, menos acolhedor do que imaginara quando ainda acreditava que sua conta bancária representava segurança, e não uma lembrança recente de algo que lhe fora arrancado com a mesma facilidade com que se cancela um cartão de crédito.Assim que fechou a porta do quarto simples, com paredes claras e uma janela que dava para uma rua movimentada onde ônibus vermelhos passavam com pressa, ela deixou a mala cair ao lado da cama e sentou-se lentamente, como se o próprio corpo estivesse assimilando o peso d
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