Leornado Os primeiros dias do aviso-prévio de Anna se arrastaram como uma sentença que eu mesmo havia imposto. Eu chegava ao escritório antes das oito, como sempre, e lá estava ela: sentada à mesa externa, notebook aberto, agenda atualizada e o café preto, sem açúcar, posicionado exatamente onde eu gostava, na temperatura precisa de sessenta e oito graus. Tudo impecável, tudo profissional, tudo vazio.— Bom dia, senhor Voss — dizia ela, com a voz neutra, sem erguer os olhos por mais do que o necessário.— Bom dia, Anna — respondia eu, pegando o copo e entrando na sala sem mais palavras.O silêncio entre nós havia se tornado uma entidade própria. Não era hostil, mas ta
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