Pov: AnaA despedida aconteceu antes do sol clarear direito, ambas não tinham dormido o suficiente. Maria havia arrumado as malas com aquela eficiência silenciosa de quem aprendeu a se organizar sozinha, e o táxi estava esperando na rua quando as duas desceram com a mala grande e a bolsa de viagem que a mãe havia enchido com a organização meticulosa de quem não sabe exatamente por quanto tempo vai ficar, mas que também não pretende voltar.Ana havia feito café que nenhuma das duas tomou completamente.Na calçada, com o motorista esperando discretamente, a mãe passou pela lista uma última vez — o vizinho, a torneira, as plantas — e Ana respondeu a cada item com aquela paciência de quem entende que aquilo não era sobre as plantas ou a torneira, era sobre a dificuldade de ir embora quando se ama alguém que fica.— Mãe — disse ela, por fim, quando a lista acabou mas a mãe ainda estava parada na calçada.Maria a olhou.E Ana a abraçou primeiro, porque havia aprendido que algumas vezes é p
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