Acordar naquele dia foi mais difícil do que no anterior, como se o corpo tivesse usado as poucas horas de sono não para descansar, mas para processar tudo que a mente havia tentado suprimir enquanto estava acordada, e o resultado disso era uma exaustão diferente.O corpo estava dolorido de um jeito específico, aquele tipo de dor que não vem de esforço físico, mas de tensão acumulada nos músculos por horas a fio, como se ela tivesse passado a noite inteira se preparando para um golpe que nunca chegou ou chegou cedo demais. A mente parecia estar em alerta mesmo sem ter motivo imediato, como um alarme que continua tocando muito depois do perigo ter passado.As memórias voltavam em fragmentos, não de forma ordenada, mas da maneira que os traumas costumam voltar — sem aviso, sem lógica, sem respeitar a tentativa de ignorá-las. O desespero por ar quando a garganta estava sendo apertada. A frieza do carpete sob as costas. O peso sobre ela. E a sensação mais cruel de todas, aquela de que o pr
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