Eu sempre odiei noites silenciosas demais. Elas dão espaço para pensamentos. E naquela noite, pensamentos eram exatamente o que eu não precisava. Miguel estava sentado na cadeira à minha frente no escritório, com uma pasta aberta no colo e um café que provavelmente já tinha esfriado há meia hora. — Eu preciso dizer — ele comentou, folheando alguns documentos — que, se isso fosse um filme, esse seria o momento em que a música de suspense começaria. — Isso não é um filme, Miguel. — Ainda bem. Porque se fosse, eu provavelmente seria o primeiro a morrer. Levantei os olhos da tela do computador. — Você é insuportável. Ele sorriu. Miguel sempre sorria. Mesmo quando estávamos mergulhados até o pescoço em algo sério. Talvez fosse exatamente por isso que ele continuava sendo meu melhor amigo. Meu telefone vibrou sobre a mesa. Peguei automaticamente. Uma mensagem. De Alice. Meu peito apertou antes mesmo de abrir. Li uma vez. Depois outra. E mais uma. Cada
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