KATHERINEAcordei antes do despertador, com o corpo ainda em alerta, como se tivesse passado a noite inteira esperando algo que não veio. A primeira coisa que fiz foi pegar o celular. Nenhuma mensagem nova, nenhum número desconhecido. Mesmo assim, o aperto veio automático. A ausência também podia ser um aviso.Decidi ignorar. Não responder era uma escolha consciente. Não dar recompensa emocional. Sobreviver, naquele momento, significava não reagir.O banho foi rápido, quase mecânico. Água quente, cabelo preso, movimentos econômicos. Vesti uma calça simples e uma blusa emprestada da Lara, larga o suficiente para não chamar atenção, neutra o bastante para não existir. Antes de sair do quarto, abri a mala e encarei o envelope dos testes por um segundo longo demais. Guardei de novo, empurrando para o fundo, porque não dava tempo de sentir. Sentir atrasava.Na cozinha, Lara já estava de pé. Café pronto, expressão prática.— Pode ficar mais alguns dias — disse. — Mas com regras. Nada de dra
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