A cafeteria do outro lado da rua parecia outra cidade. Outro universo, na verdade. Vidros amplos, luz natural calculada com precisão quase ofensiva, mesas ocupadas por pessoas que não pareciam estar atrasadas para nada na vida. Algumas digitavam em notebooks, outras apenas… existiam ali com calma, como se o tempo tivesse sido informado previamente sobre a agenda delas. Eu nunca tinha entrado ali quando trabalhava na Blackwell Enterprise. Nunca. Nem uma vez. Não por falta de vontade. Mas porque, de algum jeito, sempre havia algo mais urgente. Sempre havia Nate. Sempre havia um problema “rápido”. Sempre havia um incêndio corporativo disfarçado de reunião de cinco minutos. E eu sempre acabava com café frio, comprado na pressa, bebido em pé, com a sensação constante de que o mundo estava girando mais rápido do que eu conseguia acompanhar. Agora, eu estava sentada. De verdade. Em uma cadeira confortável demais para alguém que passou anos vivendo em modo emergência. Uma xícara
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