12. Beatrice Moreira
A escuridão me engoliu por completo em algum momento entre o choro e o cansaço absoluto. Não lembro quando meus olhos se fecharam, apenas que uma hora estava sentada no chão encostada na cama, e na outra estava deitada sobre o tapete macio, a bochecha pressionada contra as fibras grossas que cheiravam a lavanda e riqueza. Meu corpo doía — os pulsos ainda marcados pelas cordas, a nuca tensa, os olhos inchados de tanto chorar. Mas a mente, aquela maldita mente que se recusava a me dar trégua, já estava desperta antes mesmo de eu abrir os olhos. Batidas na porta. Três pancadas secas, firmes, que ecoaram no silêncio do quarto como tiros. Sentei-me num sobressalto, o coração disparado, a respiração presa na garganta. Meus olhos se arregalaram fixando-se na maçaneta dourada que começou a se mover. A porta não rangeu. Abriu-se com a suavidade de tudo naquela mansão amaldiçoada, e pela fresta que se alargava vi primeiro os homens. Dois deles, enormes, vestidos de preto, postados como est
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