13. Beatrice Moreira
Os dias naquele quarto se fundiram em uma névoa cinzenta de incerteza. Três dias? Quatro? Eu perdera a conta das refeições que Rosetta deixava na mesinha, das vezes que me levantara para olhar pela janela e ver o mesmo mar azul-petróleo lá embaixo, inalcançável. Comia porque o corpo exigia, dormia porque o cansaço vencia a ansiedade, mas a raiva — essa nunca descansava. Ela crescia como hera venenosa, enroscando-se em cada pensamento, cada lembrança do rosto dele no momento do sequestro.
Agora,