25. Beatrice Moreira
A tarde começou como todas as outras desde que Matteo encontrara sua voz. Desenhos espalhados pelo chão da sala de brinquedos, histórias soltas sobre o Brasil, palavras novas surgindo a cada hora como pequenos milagres. "Bia" ele já dizia com clareza, e "papai" era um sussurro frequente quando Vittorio se aproximava. Mas hoje havia algo diferente em seus olhos — uma inquietação, uma energia que o fazia se levantar a cada poucos minutos, andar até a porta, olhar para o corredor.— O que foi, piccolo? — perguntei, usando o termo carinhoso que aprendera com Vittorio.Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, estendeu a mão para mim, um convite.— Vamos passear? — arrisquei.Um aceno.Levantei-me e deixei que ele me guiasse pelos corredores da mansão. Seus passos eram rápidos, determinados, como se soubesse exatamente para onde estava indo. Subimos escadas, passamos por alas que eu mal conhecia, até chegarmos a um corredor no segundo andar que eu nunca explorara.Era mais silencioso a
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