• POV HENRIQUE O silêncio de Sofia era pior do que qualquer resposta. Eu liguei uma vez. Depois outra. Na terceira, deixei chamar até cair na caixa postal. Nada. O nome dela continuava ali na tela, imóvel, como se zombasse da minha incapacidade de controlar aquela situação. Eu estava acostumado a decisões difíceis. A contratos que envolviam milhões. A pressões políticas, familiares, sociais. Mas nada — absolutamente nada — tinha me preparado para aquele tipo de ausência. Porque Sofia não estava apenas distante. Ela estava me excluindo. E isso me tirava o ar. Passei a manhã inteira tentando trabalhar, mas os números se misturavam, as palavras perdiam sentido. A cena do corredor voltava como um filme maldito: a palidez dela, a caixa nos braços, o vacilo, o gesto no ventre. E, por cima de tudo, a notificação. "Beta hCG".
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