Foram quase quatro meses.Quase quatro meses de dor medida em centímetros de movimento, em respirações controladas, em músculos que já não respondiam como antes. Quatro meses aprendendo novamente coisas que um dia foram naturais demais para que eu sequer pensasse nelas.Ficar de pé, dar um passo, confiar no próprio corpo.A primeira vez que consegui andar sozinho pelo corredor da clínica, sem a mão do fisioterapeuta nas minhas costas, eu não senti vitória. Só senti raiva.Raiva de ter precisado reaprender, raiva de ter chegado tão perto de morrer.Raiva de saber que, mesmo de pé novamente… havia coisas que não tinham voltado comigo. Pessoas que eu perdi para sempre.Fisicamente eu estava melhor. Os médicos diziam isso, João dizia isso, Mark repetia isso, mas ninguém perguntava sobre o resto. Ninguém tinha coragem, eu nunca permiti, e também não falava. Porque homens como eu não falam sobre o que dói quando a dor não sangra.Voltei aos negócios aos poucos. Primeiro apenas ouvindo rela
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