Minutos depois, passos subiram a escada. Mais lentos agora. A porta se abriu com cuidado. A avó entrou primeiro. O rosto carregava preocupação e um cansaço antigo, desses que não vêm de uma noite mal dormida, mas de anos sustentando silêncios alheios. Não perguntou nada. Apenas se aproximou e a puxou para um abraço firme, inteiro, como se quisesse ancorá-la naquele instante. Vitória apoiou o rosto em seu ombro, e ali, o corpo cedeu um pouco. — Você não está errada — disse a avó, baixo, quase como um segredo partilhado apenas entre as duas. — Não importa quantas vezes ele tente convencer você disso. O avô apareceu logo depois, apoiando-se no batente da porta. O olhar era sério, atento, protetor de um jeito silencioso. — As coisas vão ficar mais tensas — disse. — Não porque você errou. Mas porque deixou claro que não está mais disposta a aceitar tudo calada. Vitória assentiu devagar. Quando ficou sozinha novamente, deitou-se sem trocar de roupa. O quarto estava escuro, mas sua me
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