A biblioteca ficava no fundo do corredor, quase escondida, como se não quisesse ser encontrada de imediato. A porta era de madeira clara, diferente das outras, e ao ser aberta rangia baixo, num som discreto, íntimo. Vitória entrou devagar, como quem pisa em um espaço que pede respeito. O cômodo não era grande, mas era profundamente habitado. As paredes eram tomadas por estantes do chão ao teto, cheias de livros que não estavam ali por estética. Eram livros lidos, usados, revisitados. Alguns tinham marcas nas lombadas, outros estavam gastos nos cantos, como se tivessem sido abertos muitas vezes no mesmo ponto. Havia uma poltrona próxima à janela, posicionada de um jeito específico, onde a luz caía na medida certa ao longo do dia. Não era um lugar de leitura apressada. Era um lugar de permanência. Ao lado, uma mesinha baixa com espaço para uma xícara, sempre ali, mesmo vazia, como se esperasse alguém voltar. O tapete era simples, mas macio, abafava os passos e criava um silêncio conf
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