A chave girou na fechadura e o som ecoou pelo hall silencioso da casa. Debbie empurrou a porta com cuidado, como se estivesse entrando em território sagrado — ou talvez profano, dependendo de como se olhasse (mesmo que fosse a casa dela). A casa estava arrumada, impecável, com o piso reluzindo sob a luz suave do entardecer, mas para ela, tudo parecia opaco, sem cor, como se estivesse observando através de um vidro fosco. Cada passo que dava ecoava no corredor e reverberava em sua mente, trazendo lembranças que ela preferiria esquecer, mas que teimavam em se agarrar a ela como sombras persistentes. Ela suspirou, pendurando o casaco no cabide. Aquele gesto trivial, aparentemente sem significado, a transportou para uma cena distante — a mãe delas, naquela casa antiga e fria, tentando manter a aparência de normalidade enquanto o mundo ao redor desmoronava. A lembrança era vívida: a mãe de Rayana e Debbie, sempre cansada, sempre ocupada, sempre tentando ser suficiente, mas fracassando
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