Helena não dormiu naquela noite. Ficou sentada em sua poltrona Eames no escritório particular, iluminada apenas pela luz fria do iPad, analisando meticulosamente cada frame das câmeras de segurança que havia mandado instalar secretamente dois dias antes.Eram microcâmeras disfarçadas em detectores de fumaça, imperceptíveis mesmo para Enzo, espalhadas estrategicamente pela academia, biblioteca, escritório e corredores principais. O técnico contratado — discreto, caro, recomendado por seu pai desembargador — jurou sigilo absoluto. Custou vinte mil reais. Valeria cada centavo.Helena apertou play em um dos arquivos. Terça-feira, 14h23, biblioteca. A imagem era em preto e branco, mas cristalina.Enzo entrava pela porta de mogno. Segundos depois, Mariana aparecia, olhando para trás como se verificasse se alguém as seguia. Então, o que Helena viu a fez apertar os dedos com tanta força que as juntas ficaram brancas.Enzo puxava Mariana pela cintura. Beijava-a com violência possessiva. As mão
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