O som da notificação no tablet de Heitor, precisamente às dez da manhã de quarta-feira, soou como um alarme de incêndio em um edifício silencioso. De acordo com a liminar obtida pelo advogado de Letícia, ela teria direito a dez minutos semanais de chamada de vídeo com os filhos, sob a supervisão remota de um assistente social da penitenciária. Para Heitor, aquilo era uma invasão de domicílio autorizada pela lei; para Alice, era o retorno de um fantasma que ela esperava nunca mais ter que encarar.No escritório da mansão Albuquerque, o ar parecia rarefeito. Alice segurava Luna no colo, sentindo o peso reconfortante da bebê de um ano e meio contra seu peito, enquanto Léo estava sentado no sofá de couro italiano, balançando as perninhas com um nervosismo que ele não sabia nomear, mas que transparecia no modo como ele roía a unha do polegar. Heitor, de pé ao lado da imensa mesa de jacarandá, conferia os detalhes da conexão. Seu maxilar estava tão travado que Alice podia ver os músculos
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