Desci para o jantar quando a casa já estava envolta naquele silêncio morno que só a noite no interior sabe criar. O dia tinha sido longo, carregado de pequenas descobertas e pensamentos que não me largavam, e eu esperava encontrar a cozinha vazia ou, no máximo, Quitéria organizando as panelas. Mas, ao atravessar a porta da cozinha, encontrei Catarina sentada à mesa com Adriano.Ela falava animada, gesticulando com as mãos, os olhos brilhando de entusiasmo. Adriano a escutava com o corpo inclinado para trás na cadeira, braços cruzados. Não era o Adriano duro e distante de sempre. Era um homem que, apesar de tudo, sabia ouvir a irmã.— Marja! — Catarina me viu e abriu um sorriso largo, daqueles que chegam antes da voz. — Vem, senta aqui com a gente.— Boa noite — respondi, puxando a cadeira com cuidado.— Boa noite — Adriano disse, breve, sem me olhar diretamente, mas também sem hostilidade.Sentei-me, tentando não interromper a dinâmica entre os dois. Catarina continuou a conversa como
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