O sonho começou como sempre: corredores brancos, o cheiro de hospital, o som ritmado de monitores.Mas, desta vez, havia algo diferente. Clara corria pelos corredores, procurando. Não sabia o quê. Abria porta depois de porta, quartos iguais, camas vazias. Em cada uma, havia flores de velório. Orquídeas brancas.Então chegou ao último quarto. A cama não estava vazia: estava ela mesma deitada, pálida, imóvel, sozinha. Sem Ricardo. Sem Julian. Sem ninguém segurando a mão.Acordou com um solavanco, o coração na garganta, a respiração curta e desesperada.O quarto estava escuro. Por um segundo, ela não soube onde estava. Hospital? Mansão? Qual versão de Clara era essa que acordava com o peito em chamas?Então sentiu o calor ao lado. Ricardo, que dormia leve desde os tempos de hospital, acordou junto, quase no mesmo instante.— Clara? — a voz dele, rouca de sono, mas já alerta.— Pesadelo — ela conseguiu dizer. — Estou bem.Mas o corpo dela dizia o contrário. A respiração ainda não tinha no
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