Dois dias depois, o encontro aconteceu sem o ritual dramático que um roteirista colocaria. Não foi debaixo de chuva, nem em um pôr do sol. Foi numa tarde qualquer, num banco de uma praça quase vazia, com crianças brincando ao longe e o barulho de carros passando na avenida próxima.Julian chegou primeiro, sentado com as mãos entrelaçadas, olhando nada em particular. Clara chegou alguns minutos depois, de calça jeans e camiseta da Fundação, um visual que misturava trabalho e vida.— Quer mudar de ideia, ainda dá tempo — ele disse, assim que ela se aproximou.Ela sentou ao lado dele, não na frente.— Se eu fugir agora — respondeu —, vou passar o resto da vida inventando finais alternativos dentro da minha cabeça. Preferia lidar com um fato concreto.— Então vamos lidar — ele disse, sem floreio.Ficaram em silêncio por alguns instantes, ouvindo os sons da praça. Uma bola bateu perto, uma criança correu detrás dela, pediu desculpa. Clara sorriu, devolvendo a bola. O mundo continuava, indi
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