Na segunda-feira à noite, após um dia cheio de reuniões na Fundação, Clara chegou em casa com uma lista mental.Não de tarefas. De “nuncas”.Nunca tinha ido ao cinema com Ricardo como casal, por exemplo. Os poucos filmes que assistira com ele eram em telas de hospital ou na sala de casa, com o som baixo, entre uma ligação e outra dele. Nunca tinham comido pastel na feira, nunca tinham se perdido na chuva, nunca tinham feito nada realmente despretensioso.Quando o encontrou na sala, revisando uns documentos no notebook, foi direto:— A gente precisa de primeiras vezes.Ele levantou os olhos, confuso.— Isso soou mais erótico do que você pensa — disse, levantando uma sobrancelha.Ela revirou os olhos.— Não estou falando de sexo, devasso. Estou falando de vida. De pequenas coisas que casais fazem e que a gente nunca fez porque, antes, eu era enfeite, depois, eu era paciente.Ele fechou o notebook, interessado.— Tipo o quê?Ela sentou-se à frente dele, no braço da poltrona.— Tipo ir ao
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