Lucas nunca foi um menino de entrar fazendo barulho. Ele chegava quieto, mochila nas costas, andava até a sala de leitura ou a sala de artes, sentava-se num canto, observava antes de se juntar às atividades.Mas, com o tempo, começou a se aproximar de Clara como quem se aproxima de um lugar seguro: primeiro pelo olhar, depois pela presença, depois pelo toque.Uma tarde, enquanto ela revisava um relatório, sentiu algo encostar na perna. Olhou pra baixo e viu que ele tinha se encostado nela, sentado no chão, desenhando. Não falou nada. Só ficou ali, colado.— Oi, Lucas — ela disse, passando a mão levemente pelo cabelo dele.— Oi — respondeu, sem olhar.Ela continuou trabalhando, e ele continuou desenhando, mas o contato permaneceu. E, naquele silêncio confortável, algo se consolidava.Ricardo começou a ir mais vezes à Fundação por causa dos projetos, e sempre que ele aparecia, Lucas surgia de algum canto.— Oi, tio — dizia, já adotando o título sem instrução.— Oi, Lucas — Ricardo respo
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