O gosto da bebida já não queimava tanto. Ou talvez eu já estivesse tão anestesiado que nada mais doía do jeito certo. Foi aí que me veio uma ideia. Errada. Mas, naquele estado, tudo que era errado parecia mais honesto que o silêncio. Peguei o celular e disquei. — Alô? a voz dela veio abafada, com risos e música no fundo. A festa parecia continuar mesmo do outro lado da linha. — Barbara... falei devagar, a voz rouca, carregada. — Tô aqui com o Vicenzo. Relembrando os velhos tempos... Mulheres do tipo que você gostava de bater de frente. Ela riu. Um riso meio ácido, meio curioso. — Isso foi um convite? — Claro que foi. respondi. — E você sabe que esse tipo de convite, vindo de mim, você nunca recusou. Demorou, mas ela veio. Quando chegou, já estava rindo alto, jogando os cabelos pro lado, vestida como se fosse dona da noite. E, por um tempo, talvez fosse mesmo. Até eu começar a servir bebida demais. Até a língua dela começar a tropeçar na verdade. — A L
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