A carrinha finalmente parou no final de uma trilha fechada, onde a mata atlântica quase engolia o caminho. À nossa frente, encravada num desfiladeiro que dava para uma praia particular de areia negra, estava a "Caixa de Vidro". Era uma casa minimalista, toda de aço e janelas enormes, que Nicholas tinha mandado construir anos atrás como um retiro para as suas amantes ou para os seus colapsos nervosos. Agora, era o nosso bunker de prazer.Nicholas desligou o motor. O som das ondas batendo nas rochas lá embaixo era o único sinal de que o mundo ainda existia. Ele não saiu do carro. Ficou ali, com as mãos no volante, a respiração pesada, olhando para a casa.— Estás bem? — perguntei, deslizando a mão pela nuca dele, sentindo os cabelos curtos e o calor da pele.— Estou a tentar decidir — ele disse, virando o rosto para mim com um olhar que me fez as pernas tremerem — se te levo para dentro ou se te tomo aqui mesmo, contra o capô desta carrinha, sob a luz da lua.Eu soltei um riso baixo, pr
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