Tyler ficou parado por alguns segundos longos demais, encarando o chão manchado como se aquilo pudesse desaparecer se ele não piscasse. O navio seguia em movimento, indiferente. Do lado de fora, o som distante de risadas atravessava a porta fechada da varanda, lembrando-o de que o mundo continuava funcionando — e de que alguém poderia aparecer a qualquer momento.— Jane… — ele murmurou, ajoelhando-se ao lado dela.Ela respirava, mas de forma irregular. Os olhos estavam semicerrados, a pele pálida demais para aquela luz artificial. O sangue se espalhava lentamente, desenhando linhas que Tyler tentou apagar com a mão, como se o gesto pudesse reverter o que tinha acontecido.— Não — disse para si mesmo. — Não, não, não…A primeira reação foi chamar ajuda. O impulso subiu rápido, quase automático. Mas parou no meio do caminho, travado por uma lembrança tão clara que doeu: perguntas, vozes, olhares desconfiados. A palavra polícia ecoou na cabeça dele como um alarme impossível de desligar.
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