Cap.101POv Lirah.O despertar foi um processo lento, uma ascensão penosa das profundezas.A primeira coisa que senti não foi dor, mas um conforto que me pareceu estranho. Lençóis de fios egípcios, macios como nuvens, contrastavam com a memória áspera e fria do chão da masmorra. O ar cheirava a lavanda, um contraste brutal com o cheiro de sangue e desespero que marcara meus últimos momentos de consciência.Abri os olhos. O teto era alto, ornamentado com sancas que eu jamais veria na minha casa. O quarto era imenso, luxuoso, um santuário de poder que eu não pertencia, onde eu estava?— Lirah?A voz de minha mãe, soou como um sino quebrado. Virei a cabeça lentamente e a vi sentada em uma poltrona ao lado da cama.Seus olhos estavam vermelhos, inchados de choro, e o rosto, geralmente sereno, parecia envelhecido pelo peso de uma semana inteira de vigília.— Mãe... — minha voz falhou, seca como areia. — Onde eu estou?Ela se levantou num sobressalto, aproximando-se e segurando minha mão c
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