Cap.100O corredor escuro parecia se alongar a cada passo que eu dava em direção à cela de onde eu ouvi meu nome.— Lirah? É você?A voz me paralisou.Não era a voz da criança. Era outra. Familiar. Enrouquecida pelo tempo e pelo desespero, mas inconfundível.Virei a cabeça lentamente.No fundo do corredor, em uma cela ainda mais funda, mais escura, mais isolada do que as outras, uma figura encolhida contra a parede me encarava.Trapos. A pele fina, quase transparente, colada aos ossos. Os cabelos, antes lustrosos e cuidados, agora estavam opacos, emaranhados, grudados no rosto sujo.Jady.— Você... — murmurei, a voz saindo mais baixa do que eu esperava. — Percebi que tinha sumido. Mas não imaginei que você tinha sido presa.Ela se levantou com esforço, agarrando-se às grades como se fossem sua única âncora. Seus olhos, antes tão cheios de malícia e cálculo, agora estavam vermelhos, inchados, cravejados por olheiras escuras.— Lirah... — ela sussurrou, e as lágrimas começaram a escorre
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