Já eram quase onze da manhã, e eu ainda não tinha conseguido focar em nada direito desde que cheguei ao escritório. Minha cabeça estava cheia demais. O tipo de incômodo que não vinha de um problema só, mas de vários pontos se acumulando ao mesmo tempo, sem se resolverem de fato. Matteo já estava no avião. A caminho de Milão. A informação tinha vindo cedo, direta, sem espaço pra discussão, como tudo que vinha do meu pai, e, mesmo sem eu ter questionado em voz alta, o incômodo continuava ali, firme, constante, como um ruído de fundo impossível de ignorar. Eu fiquei em silêncio quando soube. Mas não aceitei. Não de verdade. Ricardo estava ao meu lado, mexendo no tablet com a atenção habitual, passando informações com a calma de sempre, até que ele parou por um segundo, o olhar preso na tela. — Meu Deus… A expressão dele mudou. Sutil. Levantei o olhar. — O que foi? Ele demorou um segundo antes de responder, como se estivesse confirmando o que estava vendo.
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