A casa respirou, não como um ser vivo normal, mas como um pulmão antigo, esquecido, que se lembrava subitamente de sua função.O ar entrando e saindo. E, a cada ciclo, aquela sombra no centro do círculo que parecia ganhar um contorno um pouco mais definido.Não um corpo, não ainda, no entanto era a ideia de uma forma, uma intenção que ensaiava existência.Meu coração batia tão forte que eu temia que Luna pudesse se assustar. Ela continuava com os olhos fechados, rosto enterrado no meu ombro, repetindo a respiração como eu havia ensinado.Inspira. Segura. Solta.Eu fazia o mesmo, mas, dentro de mim, tudo gritava. O eco no peito voltou.Mais claro, ainda fraco, mas não solitário. Ele veio acompanhado de uma sensação de estiramento, como se alguém estivesse puxando um fio invisível ligado a mim.— Não olha — murmurei para Luna. — Continua contando filha, está tudo bem.A sombra se inclinou. Não foi como alguém que se curva, foi mais como fumaça sendo sugada por uma corrente lateral.Mi
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