Silvia Silva O Mediterrâneo estendia-se diante de mim como um espelho imenso, um azul tão profundo que, por vezes, parecia engolir os meus próprios pensamentos. O vento soprava leve, trazendo o sal e a promessa de um recomeço que eu, teimosamente, me recusava a aceitar. Eu estava em uma costa distante, fugindo da sombra de um homem que, mesmo a milhares de quilômetros de distância, ainda habitava cada um dos meus suspiros.O som do meu celular, pousado sobre a mesa de vime, quebrou a melancolia. O nome no visor fez o meu coração falhar uma batida. Lana.Ao atender, a voz dela não veio com a alegria costumeira, mas carregada de uma tristeza pequena e aguda que me atingiu diretamente na alma.— Sinto a sua falta, titia.Senti um nó apertar a minha garganta. Eu tinha me convencido de que, ao partir, estava protegendo a mim mesma e, de alguma forma, também a eles. Pensei que, com a vida de Hannah e Levi se estabilizando, com a nova casa e a chegada do bebê, a minha ausência seria apenas
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