Leonel Bianchi
O suor frio que me desperta é sempre o mesmo, carregando o mesmo cheiro de éter e desinfetante hospitalar. O pesadelo não é um borrão; ele é nítido, cirúrgico, uma reprodução fiel do dia em que a minha humanidade foi extirpada.
No sonho, eu estou correndo pelos corredores de uma clínica particular que minha mãe escolheu a dedo. Meus pulmões queimam, meus sapatos de luxo derrapam no mármore branco enquanto tento chegar ao quarto onde Laura, a minha Laura — ou a ilusão de quem eu