Leonel Bianchi O silêncio no meu loft, após o desabafo no cemitério, não era mais o vazio opressor que me acompanhou por anos. Era um silêncio denso, carregado, mas compartilhado. Silvia estava ali. Ela não tinha se afastado, não tinha me olhado com aquele pavor clínico que tantas outras pessoas destinam aos "danificados". Ela estava sentada no sofá, a xícara de chá fumegante entre as mãos, os olhos fixos em mim com uma compaixão que parecia arder. Eu tinha vomitado a minha alma para ela. O cemitério, a lápide, o horror da clínica, a ganância da minha mãe, a traição absoluta da Laura... tudo estava ali, entre nós, como um cadáver que finalmente fora exumado. Mas, à medida que a adrenalina da confissão baixava e a clareza voltava a se instalar, uma peça daquele tabuleiro começou a me causar uma náusea diferente. Uma pontada de desespero que não tinha a ver com o passado, mas com o presente imediato. — Silvia... — minha voz saiu estranhamente firme, cortando o ar — Como exatamente
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