MarcoEu passei por ela sem tocar.Não foi decisão consciente. Foi hábito. O corpo seguindo um mapa antigo, desenhado em anos de contenção, silêncio e escolha calculada. O corredor estava quieto, a casa ainda respirava devagar, e a porta permanecia ali, discreta demais para quem não sabia o que procurar, pesada demais para quem sabia exatamente o que existia do outro lado.Ela nunca esteve trancada.Esse sempre foi o ponto.Não havia fechadura, não havia código, não havia impedimento físico algum. A única coisa que mantinha aquela porta fechada era a certeza de que, se eu a abrisse sem preparo, algo em mim não sairia ileso.Segui em frente.Luna estava na cozinha, descalça, usando uma camisa minha que caía solta no corpo dela, grande demais para parecer planejada, íntima demais para ser neutra. Preparava café com aquele cuidado distraído de quem não está focada no gesto, mas no espaço que ocupa. Quando me ouviu, virou-se com um sorriso tranquilo, sem expectativa, sem curiosidade explí
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