LunaEu aprendi cedo a reconhecer quando o barulho não vem de fora.A imprensa estava lá, claro. Mensagens atravessadas, perguntas que fingiam ser gentis, convites disfarçados de preocupação. Mas nada disso era o que realmente me ocupava. O ruído verdadeiro vinha de um lugar mais silencioso, mais difícil de nomear, aquele espaço onde as pessoas começam a decidir quem você é sem pedir autorização.E, curiosamente, eu estava calma.Não por ingenuidade, nem por negação. Calma porque, pela primeira vez desde que tudo começou a se mover, eu sabia exatamente onde estava pisando. Marco não estava me contando tudo, isso era evidente, mas também não estava me escondendo do que importava. Havia uma diferença enorme entre proteção e exclusão, e eu sentia, no corpo, que ele ainda estava do lado certo dessa linha.Naquela manhã, acordei antes dele.Fiquei alguns minutos observando Marco dormir, o rosto relaxado de um jeito raro, como se o corpo tivesse desistido temporariamente de vigiar o mundo.
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