POV LAURA. Finalmente voltei à mansão. Não como antes — entrando pela porta da frente, sendo anunciada, ocupando espaços que sempre foram meus por direito. Voltei como sombra, como aviso, como lembrança viva de que nada ali existia sem que eu tivesse passado primeiro.Arthur precisava saber que eu estava ali, não agora, não ainda. Antes, era preciso preparar o terreno.A casa estava diferente, mais silenciosa, protegida demais, homens demais, câmeras novas. Ele estava com medo — e isso me satisfez mais do que deveria. Medo deixa as pessoas previsíveis, fazem concessões. Erram.E então eu vi a luz acesa no quarto de cima, o quarto dela, Sofia. A pirralha sempre foi o ponto fraco. Sempre. Arthur nunca soube esconder isso, nem quando fingia ser um homem forte, inabalável. Bastava ela chorar e ele desmontava inteiro, ridículo, patético, útil.Aproximei-me com cuidado. Conhecia cada ângulo daquele jardim, cada árvore que oferecia cobertura, cada ponto cego das câmeras antigas. Algumas coi
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