DanteO escritório em casa era meu refúgio absoluto, um santuário blindado contra o mundo exterior. As paredes, revestidas de madeira escura de carvalho envelhecido, absorviam a luz fraca do abajur de latão antigo, criando sombras longas e densas que pareciam se mover sozinhas. Estantes altas, quase até o teto, estavam abarrotadas de livros encadernados em couro volumes de direito, história da máfia siciliana, tratados de estratégia militar , a maioria com as páginas ainda intocadas, acumulando uma fina camada de poeira que denunciava minha ausência prolongada da leitura por prazer. O ar carregava aquele cheiro persistente e reconfortante de charuto cubano, com notas terrosas e amadeiradas, misturado ao aroma rico e envelhecido do couro macio da poltrona Chesterfeld onde eu passava tantas noites em claro. Sentado à imponente mesa de mogno polido, cujas veias escuras pareciam mapas de rios subterrâneos, folheava relatórios de carregamentos páginas cheias de números frios, datas de ch
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