• LYA •Uma semana. Sete dias exatos desde que o Lourenzo tinha saído pela minha porta e levado o resto do meu coração com ele.O final da tarde de sexta-feira banhava a minha sala com uma luz alaranjada e melancólica. O apartamento, agora pontuado por caixotes de cartão empilhados a um canto, as sobras da vida que eu tinha começado a construir na casa do Lourenzo e que o Vasco me tinha feito o favor de ir buscar, parecia mais vazio do que nunca.Eu estava sentada no chão, de pernas traçadas à volta da mesa de centro, rodeada de faturas, extratos bancários e folhas de cálculo impressas.A Bianca estava esparramada no meu sofá, com uma caneca de chá. O vinho que costumava acompanhar os nossos desabafos de sexta-feira tinha sido banido.— A matemática não muda por muito que olhes para ela, Lya — suspirou a Bianca, quebrando o silêncio pesado. Ela inclinou-se para a frente, olhando para o mar de papéis. — Tens as tuas poupanças, mas com um bebé a caminho... as
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