• LOURENZO •O trajeto entre a agência e o meu apartamento foi consumido por uma incerteza que eu raramente me permitia experimentar.Dentro do habitáculo fechado do meu carro, com as luzes de Lisboa a passarem como borrões de néon pelo vidro molhado, a exaustão física misturou-se com uma ansiedade surda. Durante todo o dia, eu tinha encarnado o bastardo corporativo que o xadrez da agência exigia. Tinha jogado com a Lya. E, por muito que ela me tivesse garantido de manhã que este teatro não a assustava, o receio de que o gelo daquela sala de reuniões a tivesse feito recuar latejava-me nas fontes.E se ela se tivesse arrependido no último segundo? E se, ao sair do edifício, tivesse simplesmente mandado o motorista do Uber seguir para o seu refúgio seguro em Sintra? Eu não a poderia culpar se o fizesse.Rodei a chave na fechadura e empurrei a pesada porta de madeira do meu apartamento. O clique metálico ecoou no hall de entrada, mas, ao contrário de todas as outra
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