A sala principal de reuniões do conselho de administração cheirava a café expresso caro e a tensão contida.Sentei-me na minha cadeira habitual, na cabeceira oposta ao ecrã gigante de oitenta polegadas que dominava a parede de vidro. Desapertei o botão do casaco do meu fato cinzento-chumbo, recostando-me com uma apatia estudada.À minha direita, o meu pai, Francisco Villar, tamborilava com os dedos no tampo de mogno maciço. Ele odiava estar naquela posição. O Grupo Magnólia representava vinte por cento da nossa faturação anual em média, e o Alejandro Vargas tinha-o forçado a sentar-se ali como um subalterno à espera de ordens.À minha esquerda, a Alice Lacerda estava no seu auge de prepotência. Usava um fato branco imaculado, o cabelo loiro perfeitamente esticado, e revia as suas notas no tablet com um sorriso afiado. Nestes três meses, sem a Lya no caminho para lhe fazer frente com talento real, a Alice tinha-se convencido de que era a rainha intocável do tabuleiro.
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