Helena demorou a adormecer naquela noite.O corpo estava cansado, mas a mente seguia desperta, presa à lembrança do beijo de Arthur. Não fora um beijo qualquer. Havia sido firme, presente, carregado de uma intimidade que não pedia desculpas nem fazia promessas vazias. Apenas existia — como se estivesse atrasado demais para ser contido.Ela se virou na cama, o quarto mergulhado em penumbra, o lençol ainda guardando o calor do corpo. Passou os dedos pelos próprios lábios, fechando os olhos por um instante. A imagem de Arthur surgia com facilidade demais: o olhar atento, o jeito contido de tocar, como se tivesse medo de quebrar algo frágil demais — talvez ela, talvez ele mesmo.Quando finalmente adormeceu, o sonho não veio confuso, nem fragmentado como antes.Veio claro.Helena estava em um campo amplo, coberto por flores claras que se moviam suavemente com o vento. O céu tinha um tom dourado, quase eterno, como se o sol estivesse sempre prestes a se pôr. Ao longe, erguia-se uma construç
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