HELOÍSAEu sempre gostei de buscar Kitana na escola.Era um ritual simples, mas que, para mim, tinha um significado enorme. O portão azul-claro, as paredes decoradas com desenhos infantis, o cheiro de tinta guache misturado com lanche da tarde, as mães e babás espalhadas pela calçada esperando seus pequenos saírem em disparada… Era naquele momento que eu me sentia, de alguma forma, pertencente.Naquele dia, no entanto, algo estava diferente.Assim que André estacionou o carro em frente ao colégio e desci, ajeitando a bolsa no ombro, senti uma pontada estranha no peito. Não sei explicar. Talvez fosse apenas o acúmulo de tensão dos últimos dias ou intuição.O portão estava aberto, as crianças já começavam a sair em fila, algumas correndo, outras segurando as mochilas quase maiores que o próprio corpo. Procurei pelo cabelo castanho-escuro de Kitana entre os pequenos e meu coração quase saiu pela boca quando a vi.Ela não vinha sozinha.Estava de mãos dadas com Lêda.Por um segundo, achei
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