HELOÍSAQuando atravessei o portão, minhas pernas ainda tremiam.Eu não sabia se era o cansaço, a adrenalina que finalmente estava indo embora ou o medo que ainda latejava dentro de mim como um coração fora do lugar. A casa estava silenciosa demais. Grande demais. Segura demais — ironicamente.Assim que a porta se abriu, Matilde apareceu no corredor.Ela vinha apressada ,com postura ereta e rosto sério.- seu costumeiro modo de agir.Mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela adiantou os passos e me abraçou.Me abraçou, mesmo.Fiquei imóvel por dois segundos tentando captar que Matilde a governante indiferente a mim , havia acabado de me envolver em seus braços de forma calorosa.Matilde não era de abraços. Não era de gestos largos. Não era de demonstrações públicas de afeto. Ela era feita de rigidez, de regras, de disciplina. Aquele abraço foi desajeitado, forte e inesperado e me deixou totalmente boquiaberta.Eu senti os braços dela me apertarem com uma urgência que denuncia
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