ELISAAs raízes não se fortalecem de um dia para o outro. Elas se aprofundam devagar, em silêncio, buscando água onde parece não haver mais nada. Elas rompem pedra, contornam obstáculos, se entrelaçam com outras raízes para sustentar a árvore inteira. Alberto começou a vir à Casa da Esperança como quem cumpre uma pena antiga: duas vezes por semana, sempre no mesmo horário, sempre com as mesmas roupas de trabalho gastas, sempre com as mesmas ferramentas na mochila velha. Ele não pedia nada. Não falava além do necessário. Capinava o canteiro externo, virava a compostagem, regava as mudas antes do sol ficar forte, podava os arbustos que bloqueavam a luz das hortaliças. Era metódico. Quase invisível. Mas estava lá.Dona Marli foi a primeira
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