CAPÍTULO 32 — A ARMADILHA DE HENRIQUE O café estava quase vazio quando Lara entrou. O relógio marcava oito e meia da manhã, e o aroma intenso de café fresco misturava-se com o silêncio quase absoluto do local. Era um daqueles lugares perfeitos para conversas discretas, onde cada palavra poderia ser ouvida ou distorcida, mas ninguém mais estava ali para ouvir.No fundo, o pai de Lara já estava sentado, levantando-se quando a viu. Mais magro, cabelo grisalho desalinhado, olhos cansados e marcados pelo tempo. A postura hesitante transmitia anos de ausência e arrependimento, como se ele estivesse a vestir o papel de pai pela primeira vez. O fato parecia grande demais, carregando a sombra do passado.— Filha — disse ele, com voz fraca, mas firme, erguendo-se.Lara sentou-se diante dele, sem sorriso, medindo cada gesto.— Por que reapareceste agora? — perguntou, direta. — Por que não me procuraste quando eu precisei? Quando a mãe estava doente, quando eu estava sozinha?Ele respirou fundo,
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