Capítulo 37 — Linhas Que Se Cruzam
A esquadra cheirava a café requentado e a papel antigo.
Rafael Montenegro estava sentado numa cadeira metálica, costas direitas, mãos apoiadas sobre a mesa. Não parecia nervoso — mas por dentro, cada pergunta era um teste à sua contenção.
O inspector folheava o processo com calma excessiva.
— Senhor Montenegro, confirme-me novamente: o seu pai viajava sozinho?
— Sim — respondeu Rafael, firme. — Era uma viagem de negócios. De rotina.
— E o senhor?
A pergunta ca