Heitor Arruda Eu estava ali, sentindo o balanço suave das águas do Caribe, mas meu interior ainda rugia como as tempestades de areia do sertão de Pernambuco. Eu observava o horizonte, onde o céu começava a sangrar os primeiros tons de um laranja carregado. Ali, naquele convés manchado de pólvora, eu vi o reflexo de quem eu fui e de quem o meu filho se tornou. Vim de longe. Saí do solo rachado do Brasil, fugindo de uma sina que eu não compreendia, deixando para trás a Mirtes. Deixei a mulher que amava com o ventre crescendo, carregando o Eduardo, porque me senti pequeno diante das chantagens. Naquela época, eu era apenas um peão no tabuleiro de um homem frio, sem saber que aquele monstro era o meu próprio pai. Fui covarde. Escolhi a fuga, acreditando que a distância protegeria quem eu amava, enquanto os entregava aos lobos. Mas o destino é um moinho que tritura o orgulho. Anos depois, a vida me deu a chance de reencontrar Mirtes e conhecer o meu verdadeiro destino. Hoje, olhando
Leer más