O silêncio nunca foi um problema para Daniel.Ele aprendera cedo que o silêncio protege, esconde, organiza. Era no silêncio que ele pensava, decidia, vencia. Mas naquela manhã, o silêncio do apartamento parecia diferente. Não era controle. Era tensão.Daniel estava sentado à mesa da sala, o notebook aberto, várias abas com notícias, comentários e relatórios de assessoria jurídica. Mesmo assim, seus olhos voltavam, repetidamente, para o corredor que levava ao quarto onde Lívia ainda dormia.Ela dormia pouco ultimamente.Desde a exposição, seu corpo parecia sempre alerta, mesmo quando tentava descansar. Daniel percebia isso nos detalhes: o jeito como ela acordava sobressaltada, como verificava o celular com receio, como se encolhia quando alguém tocava a campainha.E aquilo o incomodava mais do que qualquer manchete.Ele fechou o notebook com força controlada.O problema não era a imprensa.Era o sentimento.Daniel nunca misturara emoções com decisões. Nunca permitira que alguém tivesse
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