Marcelo chegou ao local do encontro quinze minutos antes do combinado. Não por estratégia, não por necessidade de controle — mas por nervosismo. O lugar era simples: uma pequena cafeteria com mesas ao ar livre, escolhida por Denise. Jennifer fora clara ao telefone: ambiente neutro, sem ostentação, sem tentativa de impressionar. Marcelo observava tudo ao redor como se estivesse fora do próprio corpo. O cheiro de café recém-passado, o barulho suave das xícaras, crianças passando com mochilas nas costas. Nada ali o reconhecia. Nada ali exigia dele a performance habitual. E isso o deixava exposto. Sentou-se em uma mesa discreta, de costas para a rua, como se quisesse se esconder. As mãos repousavam sobre a mesa, imóveis demais. Ele percebeu o detalhe e forçou os dedos a se moverem, tentando parecer normal. Não estava acostumado a encontros onde não podia conduzir a conversa. Quando as viu se aproximar, seu corpo reagiu antes da mente. Jennifer caminhava à frente, postura firme, protet
Ler mais